Silvio Berlusconi, 74 anos, que conseguiu salvar seu mandato, ao escapar, nesta terça-feira, de moção de censura no Parlamento, lidera a direita italiana há 16 anos, sendo também um dos homens mais ricos do país, magnata da televisão, personagem polêmico, venerado e detestado.
Nascido no dia 29 de setembro de 1936 de uma família da pequena burguesia milanesa, ele herdou de seu pai, empregado de um banco, um senso apurado para os negócios, o que demonstrou desde a adolescência ao trocar ajuda por dinheiro com seus colegas de classe, segundo suas próprias histórias.
Inteligente e criativo, é também dotado de um ego sem igual.
Quando jovem, Silvio Berlusconi trabalhou como animador de boates noturnas e em cruzeiros, cantando e contando histórias engraçadas.
Vendedor de aspiradores no fim dos anos 1950, obteve em 1961 um bacharelado em direito, depois pegou um empréstimo no banco de seu pai para fundar uma empresa no setor de construção.
Começou uma ascensão exponencial que desencadeou interrogações sobre a origem de sua fortuna, questão que nunca foi esclarecida.
Seu holding familiar, Fininvest, compreende inúmeras empresas, em particular, a editora Mondadori e o clube de futebol Milan AC.
O holding levou Silvio Berlusconi às primeiras posições do ranking das maiores fortunas da Itália por dez anos, antes de os sobes e desces da bolsa o fazerem recuar, mas esteve sempre entre os cinco primeiros colocados.
Em 1994, Il Cavaliere (título honorário concedido pelo presidente por reconhecimento de seu trabalho) se lançou na política. Em algumas semanas, ele montou o Forza Italia, partido formado essencialmente por executivos da Fininvest.
Aliado aos neofascistas do Movimento Social Italiano (MSI) de Gianfranco Fini e aos populistas da Liga do Norte de Umberto Bossi, ele venceu as eleições de abril de 1994. Abandonado por estes últimos, seu governo entrou em colapso sete meses depois.
Em 2001, reconquistou o posto de chefe do governo que ocuparia até abril de 2006, uma duração sem precedentes no pós-guerra.
Cansado após cinco anos no poder, ele foi derrotado em uma disputa acirrada nas legislativas por seu eterno rival de esquerda, Romano Prodi, que se mostrou incapaz de manter sua coalizão unida, permitindo que Berlusconi tivesse uma revanche impressionante dois anos mais tarde, em 2008, e uma terceira eleição ao posto de chefe de governo.
Habilidoso em se fazer de “vítima” e sempre envolvido com a Justiça em diversos casos de corrupção, Berlusconi foi condenado várias vezes em primeira instância, mas jamais definitivamente.
Muito vaidoso, Silvio Berlusconi está sempre bronzeado, já colocou implantes capilares, fez lifiting e pinta os cabelos.
Ele construiu uma reputação de Don Juan namorando jovens mulheres, incluindo garotas de programa, o que lhe valeu na primavera de 2009 um pedido de divórcio de sua segunda esposa. Em outubro de 2010, ele livrou da delegacia uma jovem marroquina, “Ruby”, que teria participado de festas em sua casa.
Por causa de problemas de saúde em novembro de 2006, ele precisou colocar um marca-passo em dezembro do mesmo ano nos Estados Unidos. Ele igualmente foi operado em 1997 de um câncer de próstata.
Em dezembro de 2009, um desequilibrado atirou uma miniatura da catedral de Milão em seu rosto, fraturando nariz e dois dentes.
O ano de 2010 foi difícil para Berlusconi: acusações de corrupção contra membros de seu partido, conflitos e depois ruptura com seu aliado Gianfranco Fini.
Silvio Berlusconi é pai de cinco filhos, de dois casamentos, e avô várias vezes.





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Médico formado há mais de 10 anos, com residência de cirurgia geral no