
Maria Antoinette
Desde sempre, e percorrendo as diferentes épocas e espaços geográficos, a forma como se evidencia o cabelo está associada aos mais diversos significados, de acordo com culturas, religiões e crenças. O tema é recorrente na própria história da humanidade e imaginário coletivo dos povos, precisamente pela importância que sempre assumiu para o Homem.
A figura bíblica de Sansão, cujo cabelo foi cortado, revogando-lhe a força e virilidade que possuía graças às longas e enormes madeixas, é ilustrativa do poder que, quase sempre, se associa ao elemento. O cabelo comprido entre os homens foi, aliás, considerado, durante muito tempo, característica expressiva de poder, nobreza e realeza. Pelo mesmo motivo, os índios nativos do continente americano guardavam o escalpe dos inimigos derrotados, como prova de conquista e domínio sobre os mesmos.
Diversas são também as histórias relacionadas com magia e bruxaria que reforçam o poder do cabelo, que se acreditava reter a força da pessoa, mesmo depois de morta. Durante a Inquisição, muitas foram as mulheres perseguidas por feitiçaria, tentando inclusive provar-se que o soltar dos seus cabelos seria capaz de desencadear tempestades. Atualmente, as mesmas referências fazem ainda sentir-se, no domínio da ficção, através de filmes e séries que incluem, sempre, o cabelo de alguém para que qualquer feitiço funcione. Numa perspetiva mais científica, também, através de um só fio que passou a ser possível desvendar o ADN do seu doador.
Rapunzel, conhecida entre os mais novos e presente nas memórias dos restantes, foi resgatada por um belo príncipe graças à longa e farta cabeleira, que nunca cortou. Em algumas culturas, o cabelo da mulher continua a ser visto como algo tão precioso que deve somente ser reservado ao marido, cobrindo-se de olhares alheios que o possam desvirtuar. Ainda no feminino, e remontando a Maria Antonieta, rainha de França decapitada durante a Revolução, foram, entre outros, os seus vistosos e inesperados penteados que a marcaram na corte. A preocupação e tempo dedicado ao cabelo sempre acabou, aliás, por constituir uma forma simbólica de diferenciação entre nobres e burgueses, lembrando o tempo que os primeiros tinham para se dedicar ao mesmo, por não trabalharem.
Da Igreja cristã e consequente associação de um cabelo rapado à renúncia à liberdade e disponibilidade sexual, ao Vietname, onde se conta que é possível adivinhar-se o futuro através da forma como os cabelos estão dispostos na cabeça, muitas serão as histórias e personagens que ainda ficam por contar. Lembra-se de alguma, em particular?





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